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“Home Bias” e diversificação geográfica: saiba o que é e como utilizar

“Home Bias” significa “Viés Doméstico”. É a propensão que os investidores possuem em concentrar seus investimentos em alternativas do mercado onde mantém residência. Isso acontece porque geralmente o investidor tem mais familiaridade com empresas locais, ignorando o benefício da diversificação no exterior. Assim, a grande maioria investidores nacionais têm todo o portfólio concentrado em ativos de seu próprio país.

Acredita-se que esse viés surgiu como resultado das dificuldades associadas ao investimento em ações no exterior, como restrições legais e custos de transação ou simplesmente devido à preferência por investir no ambiente conhecido.

Podemos elencar uma série de fatores que podem levar o investidor doméstico a favorecer os investimentos nacionais, incluindo:

● Maior disponibilidade de investimentos domésticos
● Desconhecimento do mercado externo
● Falta de transparência
● Custos de transação
● Barreiras à entrada em mercados estrangeiros
● Maiores riscos associados ao investimento internacional
● A preferência por mercados domésticos sobre investimentos estrangeiros
● O medo de investir no exterior
● O home bias reduz nosso apetite para diversificação internacional

O home bias reduz a eficiência dos portfólios.

As opções de investimento locais, no caso de mercados emergentes, limitam-se a poucas opções de títulos e ações, sendo gerida por poucos gestores, sem maiores abordagens e sem diferenciações de produtos.

A diversificação geográfica para o investidor consciente

Cabe ao investidor prudente maximizar o retorno de seus investimentos em relação aos riscos associados. A ideia principal da gestão de alocação é investir entre diversas classes de ativos, regiões e setores econômicos. Dessa forma, a diversificação geográfica reduz o risco alocando investimentos entre vários tipos de ativos e regiões.

O objetivo é maximizar os retornos investindo em diferentes áreas para diminuir a chance de um evento de mercado ter um efeito que debilite o portfólio. Por outro lado, no caso da não diversificação geográfica, o investidor corre o risco da concentração no mercado interno, aumentando assim a volatilidade da carteira.

Por exemplo, manter investimentos em instrumentos de países centrais proporcionará aos investidores um nível de proteção contra perdas (hedge) no caso de mudanças negativas na política econômica brasileira.

Leia também: A importância da Diversificação no Investimento

O que é "Home Bias", afinal? Entenda o fenômeno

As ações negociadas no mercado americano representam cerca de 60% do mercado global de ações. Segundo a Charles Schwab Co., os americanos investem 85% de suas carteiras em ações do próprio país.

Segundo eles, as pesquisas mostraram que algumas gerações são mais propensas a possuir um certo viés doméstico do que as gerações seguintes. Por exemplo, a maior parte da geração dos nascidos nos anos 40-60 (baby boomers) têm algum tipo de preconceito doméstico (cerca de 54%). Já a geração dos anos 80-90 (millenials) apresentou menores resistências a investimentos fora dos EUA (apenas 24% se concentram nos mercados dos EUA).

Além dos investidores individuais, alguns gestores profissionais de fundos também demonstram os mesmos vieses comportamentais em suas decisões de portfólio. O estudo mostrou que a maioria dos fundos com gestões medianas tende a ter excesso de concentração em ações e títulos dos locais de origem de seus gestores, sendo mais forte entre os gestores iniciantes (com menos de 5 anos de profissão).

A grande novidade é que os ETF - Exchange Traded Funds (fundos com cotas negociadas em bolsa) eliminaram esses problemas. Além disso, a democratização das informações, o acesso e acompanhamento de instrumentos estrangeiros tornaram-se muito mais fáceis.

Hora de sair de casa

Quando analisamos esse fenômeno, percebemos que o universo de investimento doméstico geralmente oferece participações limitadas no crescimento econômico global e, ao se limitarem às estratégias, os investidores renunciam a várias oportunidades fora do mercado local, demonstrando que portfólios de investidores avessos à diversificação no exterior apresentam menor eficiência e maior risco.

Apesar de reconhecer que a regulamentação governamental limita o nível permitido de exposição em investimentos externos, principalmente quando se trata de fundos institucionais, de modo geral, os investidores domésticos trabalham em limites abaixo das normas legais, quanto à exposição externa.

Viés de Casa X Diversificação - Qual a diferença?

A opção de incluir instrumentos financeiros estrangeiros em um portfólio doméstico tende a mitigar o risco sistemático de um portfólio, já que os instrumentos financeiros estrangeiros não são afetados pelas mudanças do mercado doméstico. No entanto, como dissemos acima, o viés doméstico tem sido historicamente alimentado pela falta de opções disponíveis e a maiores barreiras para entrar em mercados estrangeiros.

No caso brasileiro, os fundos negociados em bolsa (ETFs) bem como os BDRs fornecem uma maneira relativamente fácil e de baixo custo para a diversificação dos investimentos estrangeiros que, de outra forma, podem ser mais difíceis de acessar por conta própria.

No entanto, ao permanecermos dentro da zona de conforto do investimento doméstico, abrimos mão de um conjunto de oportunidades de investimentos fora das fronteiras nacionais.

Alguns mercados estrangeiros tendem a ser mais ou menos correlacionados com o desempenho doméstico. Observamos que com a globalização dos mercados as economias de diferentes países estão se tornando mais interligadas. Como tal, uma desaceleração em uma economia pode afetar outras por força da integração econômica.

Vejamos, por exemplo, o impacto do colapso do subprime nos EUA, em 2008. A economia dos EUA é a maior do mundo e atingiu a maioria dos países, sejam eles periféricos ou centrais. É importante prestar atenção a esses fatores ao investir em ativos estrangeiros para determinar se a verdadeira diversificação está sendo alcançada.

Benefícios fiscais

Dependendo da legislação tributária de cada país, investir em mercados estrangeiros pode ser benéfico em termos fiscais. Muitos países adotam uma legislação tributária benéfica para investidores estrangeiros. Essa é uma prática comum em mercados emergentes para atrair investimentos e estimular o crescimento.

Já os investidores brasileiros necessitam pagar impostos sobre seus lucros obtidos no exterior, mas podem se beneficiar do crédito fiscal. Esse crédito fiscal evita o fenômeno que chamamos de “dupla tributação”, quando o país estrangeiro e o doméstico tributa o mesmo investimento.

Limitações do Home Bias

Uma das limitações do home bias é quanto à variedade dos produtos de investimento oferecidos. Em países emergentes com setores financeiros em desenvolvimento, as ofertas domésticas limitam-se a títulos governamentais e de empresas locais, com poucos gestores e sem diferenciação entre eles.

Os gráficos abaixo mostram a participação do investimento externo nos mercados locais bem como a capitalização de mercado, segundo a World Federation of Exchanges (WFE).

Fonte: WFE

Fonte: WFE

O investidor nacional que concentra seus investimentos somente no Brasil está perdendo a oportunidade de realização de exposição a estratégias não disponíveis no mercado interno, como as “big companies” americanas ou o setor de tecnologia asiático.

Ao verificarmos o caminho inverso, percebemos a participação crescente do investidor externo no mercado local, administrado pela B3.

Fonte: B3

Dessa forma, concluímos que a diversificação global é essencial para reduzir os riscos de concentração e ampliar as oportunidades oferecidas.

Principais conclusões sobre o Viés Doméstico

As principais considerações que podemos fazer sobre o assunto são:

● O viés doméstico (também chamado viés de familiaridade) é a preferência de um investidor em investir em ações domésticas e rejeitar a diversificação de seus portfólios com investimentos estrangeiros.
● Investidores nacionais possuem viés doméstico em razão dos custos de transação, inacessibilidade e falta de familiaridade com ações estrangeiras.
● O fenômeno não é percebido em todas as gerações, podendo uma geração ser mais propensas a exibir viés doméstico do que outras.
● O viés doméstico afeta tanto investidores individuais como investidores experientes e profissionais.
● Atualmente, investir em ações e títulos estrangeiros é mais fácil devido à disponibilidade de veículos de investimento como ETFs e BDRs.

Embora o risco sistemático não seja diversificável por natureza, os investidores menos avessos ao risco têm uma visão específica do risco sistemático para cada país.

Para esses, os investimentos em ações e títulos estrangeiros tendem a diminuir o risco sistemático, porque tais investimentos são menos propensos a serem afetados por variações no mercado doméstico.

Conforme dito por John Green, “o lar é onde está o coração”, no entanto, para obter os melhores resultados de investimento os investidores precisam sair de casa!

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