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Investimentos em Commodities Metálicas

Uma commodity é uma mercadoria produzida em larga escala: metais preciosos e não preciosos; produtos agropecuários e ambientais.

As commodities são negociadas em bolsas de mercadorias e de futuros, com seus preços definidos globalmente pelo mercado internacional, cotadas em dólares norte-americanos e/ou libras esterlinas.

Diferente de produtos financeiros, as commodities necessitam ser estocadas por um determinado período sem que haja perda de qualidade e são consideradas matérias-primas por anteceder algum processo industrial.

Tipos de Commodities e alguns exemplos:

Commodities Minerais e MetálicasMinério de ferro, alumínio, petróleo bruto, ouro, níquel, prata, platina, paládio, chumbo, cobre, gás natural, etc.
Commodities AmbientaisCréditos de carbono, madeira em pé e água.
Commodities PecuáriasBoi gordo, bezerro, porco magro.
Commodities AgrícolasSoja, suco de laranja concentrado, trigo, algodão, borracha, café em grão, milho, cacau, arroz, tabaco, açúcar, etc.

Contexto Global dos Investimentos em Commodities

As commodities são essenciais para os padrões de consumo e bem-estar da humanidade. Através delas são produzidos uma enormidade de outros produtos que sustentam a economia mundial.

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de commodities globais. Algumas commodities produzidas e exportadas são minerais (petróleo, minério de ferro e alumínio, por exemplo) e agropecuárias (café, a soja, suco de laranja e carne in natura), formando um pequeno número de produtos de baixo valor agregado.

Quase todas as exportações brasileiras são resultado do último ciclo de investimentos produtivos realizados na década de 70 e, mais recentemente, no período de 2000-2010, necessitando traçar uma política de competitividade para diversificar os produtos nacionais.

Quais as vantagens de ser um país exportador de commodities?

Ser um país exportador de commodities traz vantagens e desvantagens. Se por um lado o país se beneficia do comércio dessas mercadorias, por outro lado, se torna dependente dos preços internacionais.

Em caso de alta da demanda internacional, os preços sobem e as empresas produtoras lucram. Porém, num quadro de recessão global, as commodities se desvalorizam, prejudicando a rentabilidade das companhias e o valor de suas ações negociadas em bolsa de valores.

Nos últimos anos a atividade global foi marcada por rupturas nas cadeias produtivas devido à pandemia de 2020/2021. Como elemento agravante, as expectativas se deterioraram devido à guerra na Ucrânia, jogando por terra os esforços dos países que vinham em processo de recuperação pós pandemia.

Soma-se a isso, a pressão inflacionária como um fenômeno global, levando aos países o remédio amargo de política monetária restritiva e aumento de juros, com destaque para a elevação dos níveis de desemprego.

Características para o Comércio
RelevânciaAs commodities são produtos de relevância global, necessárias para as operações na cadeia produtiva.
DemandaProdutores de commodities abastecem o mercado interno e externo.
CiclosA demanda por commodities é cíclica, isto é, passam por longos períodos de alta e baixa.
VolumeAs commodities são cotadas internacionalmente em dólares com ganhos sobre a desvalorização do câmbio.
RegulaçãoAs commodities possuem regulação interna governamental e regras internacionais de comércio (OMC).

O Mercado Mundial de Commodities Metálicas

As bolsas oferecem a mais ampla gama de produtos de referência global em todas as principais classes de ativos, incluindo futuros e opções com base em taxas de juros, índices de ações, câmbio, energia, commodities agrícolas, metais e clima reunindo compradores e vendedores por meio de sua negociação eletrônica e garantia de contraparte.

Como os mercados de commodities respondem às influências econômicas e geopolíticas globais, as bolsas apresentam ferramentas exclusivas de gerenciamento de risco para empresas comerciais e institucionais, recompensando a oportunidade para indivíduos que buscam lucrar antecipando corretamente as mudanças de preços.

Os mercados de metais, por exemplo, fornecem oportunidades únicas de negociação e hedge, com volume médio diário de aproximadamente 400.000 tipos de futuros e opções negociadas no mundo, bem como oferecendo os benchmarks globais de preços.

Mercado de Ouro

Nenhum outro mercado no mundo tem o apelo universal do mercado de ouro. Durante séculos, o ouro foi cobiçado por sua raridade, beleza e indestrutibilidade. As nações adotaram o ouro como uma reserva de riqueza e um instrumento internacional de intercâmbio.

Indivíduos têm procurado possuir o ouro como seguro contra as incertezas do papel-moeda.

Os contratos futuros e opções fornecem uma importante alternativa aos meios tradicionais de investir em ouro, como barras, moedas e estoques de mineração. Os contratos futuros de ouro também são valiosas ferramentas de negociação para produtores e usuários do metal.

Mercado de Prata

Para muitas civilizações, as reservas de prata eram abundantes, resultando em uma diversidade de relíquias formadas a partir do metal durável e maleável, incluindo joias e artefatos religiosos.

A partir do século XVII, a prata assumiu um papel-chave no sistema monetário de vários países. O século XX tornou ainda mais importante a prata como matéria-prima industrial, tornando-se uma valiosa mercadoria industrial, bem como um atrativo investimento.

As fontes primárias e secundárias de prata são particularmente sensíveis ao preço de mercado. Assim, como um metal semi-precioso, a prata também desempenha um papel nas carteiras de investimento. Os contratos futuros de prata, cotados em centavos de dólares por onça-troy são ferramentas de negociação valiosas para produtores e usuários desse metal.

Mercado de Cobre

Uma das commodities mais antigas conhecidas da humanidade, o cobre foi descoberto há cerca de 7.000 anos atrás. Sua suavidade, cor e disponibilidade na natureza permitiu que fosse facilmente moldado em formas primitivas. Há 5.000 mil anos, a humanidade aprendeu a ligar o cobre com estanho, produzindo o bronze e dando origem a uma nova era de metais.

No século XIX, a Grã-Bretanha controlava mais de 75% do comércio mundial de cobre, sendo que a descoberta dos depósitos na América do Norte, Chile e Austrália desafiaram a posição proeminente do Império Britânico.

Atualmente, o mercado de cobre reflete diretamente o estado econômico mundial. É o terceiro metal mais utilizado no mundo (depois do ferro e alumínio) e é usado principalmente em indústrias altamente cíclicas, como a construção e fabricação de máquinas industriais.

Na América Latina, os principais exportadores de cobre são Chile e Peru, países que detém 40% da produção mundial. A queda de seu preço nos últimos meses é um indicador do futuro sobre a atividade global, sendo a China responsável por 23% do consumo global de cobre.

Os contratos futuros de cobre, cotados em dólares americanos e em libras inglesas, são ferramentas de negociação valiosas para produtores e usuários desse metal.

Mercado de Minério de Ferro e de Aço Industrial

A China produz anualmente cerca de 1 bilhão de toneladas de aço bruto por ano e, para isso, as siderúrgicas chinesas importam um volume equivalente em toneladas de minério de ferro.

Toda essa atividade é excelente para empresas como a Vale, a maior exportadora do produto no mercado transoceânico com previsão de 320 milhões de toneladas para 2022 e meta de longo prazo de 400 milhões de toneladas. A entrada da Índia no mercado mundial de minério de ferro e aço vai aquecer ainda mais este mercado.

Mercado de Níquel

O mercado de níquel é o mais complexo das commodities metálicas devido ao desequilíbrio de oferta, tornando os preços mais voláteis.

A indústria de níquel é a mais concentrada do mercado global de commodities metálicas sendo que apenas quatro grandes empresas controlam 55% do total da oferta e a China é o maior demandante desse metal.

Fonte: Bacen

Ouro e Prata como Hedge da Carteira

O mercado financeiro oferece diversas opções para compras de commodities metálicas. Entretanto, antes de tomar qualquer decisão de investir em metais é importante considerar certos fatores.

Tais instrumentos não são considerados investimentos no significado estricto da palavra, pois não oferecem rendimentos (como taxa de juros fixa ou distribuição de dividendos), como é o caso dos títulos da dívida pública ou ações das companhias abertas.

Portanto, é necessário deixar claro que tais metais são considerados “reserva de valor”. São instrumentos de proteção contra as crises, devendo ser utilizado apenas em uma parcela do portfólio, pois há uma correlação negativa entre o preço desses metais e os preços de ativos de risco.

Além disso, há uma quantidade finita com oferta limitada desses metais. Dessa forma, os preços variam de acordo com a demanda. Por exemplo, vejamos o que aconteceu durante os períodos da crise de 2008, pandemia da Covid-19 e, mais recentemente, com a guerra russo-ucraniana.

É necessário dizer que a compra física dos metais exige alguns cuidados e possui desvantagens, como a dificuldade de encontrar um agente comercializador certificado com garantia de qualidade, o deslocamento e seu armazenamento.

Fundos de Investimento em Metais

Existem dois tipos de fundos de investimento em metais: os negociados em bolsa (ETFs) e os fundos tradicionais (Multimercado) que são negociados fora da bolsa, em plataformas de bancos e corretoras.

Temos observado que a oferta de ETFs em metais tem crescido. Por exemplo: o ETF GOLD11, lastreado em ouro, e o BDR BSLV39, lastreado em prata. Nesse quesito, é importante ficar atento ao risco cambial que é uma constante nos preços dos metais preciosos que afeta a taxa de rentabilidade dos fundos.

Da mesma forma, é necessário ficar atento à sua volatilidade, pois os fundos de investimento em metais possuem volatilidade ligada ao ouro e à prata como ativos de proteção.

Uma Questão de Contexto

O contexto político-econômico é essencial para tomar a decisão de investir em metais. Se o cenário é otimista, como por exemplo, a inflação global controlada e sem sobressalto nas taxas de juros internacionais, investe-se menos em ouro já que não há necessidade de overhedge.

Já no caso de um cenário pessimista, como guerras ou mesmo inflação fora de controle, a necessidade de hedge em metais se torna atraente. Observa-se que em tempos de paz econômica os investimentos em metais são mais reduzidos, exatamente pela “visão construtivista”, apoiada na recuperação econômica.

Também convém ressaltar que investir em ações de empresas produtoras de commodities é diferente de realizar operações por meio do mercado de derivativos.

No caso de empresas produtoras de commodities, o investidor é sócio por meio da aquisição de uma fração do seu capital social no mercado de ações. No mercado de derivativos, os traders especulam sobre os preços das mercadorias numa data futura, de acordo com as características contratuais.

Características para o Investidor
ObjetivosInvestimento em commodities deve estar associado ao perfil e objetivos do investidor considerando os fatores de risco do produto.
DiversificaçãoO investidor tem a possibilidade de aumentar a diversificação, reduzindo o risco total, ao incluir empresas produtoras e/ou exportadoras de commodities na carteira.
ViésO investidor deve estar emocionalmente preparado na montagem da estratégia da carteira suportando os ciclos de alta e baixa das commodities.

Para investir em metais, vale a pena avaliar a parcela adequada para sua carteira, dependendo do grau de risco tolerado pelo investidor. É importante ter um diagnóstico confiável de contexto antes de qualquer decisão de investimento.

Conheça seu perfil, horizonte de investimento e a composição do seu portfólio atual com a ajuda de um profissional (agente autônomo ou gerente de investimentos).

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