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Vale a pena investir em BDRs de ETFs?

Liquidez e preço justo são dúvidas frequentes dos novos investidores. Saiba mais!

Em outubro de 2020 a Comissão de Valores Mobiliários revolucionou o mercado de investimentos no Brasil, editando a instrução CVM 332. Nesse documento, o xerife do mercado viabilizou o acesso dos investidores brasileiros não profissionais e qualificados aos mercados internacionais.

Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) já existem no Brasil desde 2001, mas até então essa modalidade de investimento não era permitida ao investidor de varejo. Por isso, esse marco regulatório foi tão importante, afinal, ampliou o acesso aos mercados internacionais, via BDRs, para todos os tipos de investidores locais.

Em linha com esta mudança, a CVM trouxe outra inovação: a possibilidade de ETFs internacionais serem também disponibilizados na forma de recibos (BDRs).

Sendo assim, os BDRs de ETFs estão disponíveis no mercado brasileiro, diretamente na B3.

Como funciona o investimento em BDRs, na prática?

As instituições cadastradas como emissores de BDRs podem criar recibos lastreados em cotas de ETFs listados e negociados, com liquidez, em mercados internacionais.

Para cada recibo emitido aqui no Brasil, temos cotas custodiadas no país de origem, que garantem aos detentores dos BDRs os mesmos direitos que um cotista que comprou um ETF diretamente no mercado internacional.

No momento da criação do BDR, a instituição depositária, responsável pelo ativo, solicita a listagem do produto para a B3 e então os recibos começam a ser disponibilizados no mercado local.

Naturalmente espera-se que o valor do BDR aqui espelhe a cotação do ativo original negociado lá fora.

Há garantias de estar pagando um preço justo pelo BDR aqui no Brasil?

Os emissores de BDRs no Brasil precisam garantir que o preço do BDR de ETF negociado localmente acompanhe o preço do ativo lastro negociado no mercado internacional.

Para manter as ofertas de compra e venda de forma regular e contínua durante a sessão de negociação, fomentando a liquidez dos valores mobiliários, facilitando os negócios e mitigando movimentos artificiais nos preços dos ativos, entra a figura do Formador de Mercado (Market Maker), que é uma corretora ou uma DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários).

Os formadores de mercado devem atuar diariamente respeitando os parâmetros de atuação (quantidade mínima, spread máximo e percentual de atuação na sessão de negociação).

Para se cadastrar como market maker na B3, a corretora se compromete a praticar preços muito próximos aos negociados no mercado internacional de referência.

Túneis de Negociação

Além dos parâmetros de atuação do formador, a B3 - bolsa de valores possui outros mecanismos para reduzir distorções de preços que infrinjam limites máximos estabelecidos, como o túnel de negociação de rejeição, de leilão e de proteção.

BSM

Outra garantia de preço justo dos papéis é a presença da BSM – Supervisão de Mercado, uma entidade constituída para realizar de forma independente e com autonomia administrativa e orçamentária, as atividades de autorregulação, monitoramento, supervisão e fiscalização dos mercados administrados pela B3.

Ela monitora as operações, registros, ofertas e processos de liquidação física e financeira dos negócios realizados nos mercados de bolsa e de balcão organizado. Acompanha comportamentos atípicos de investidores e de ativos.

Arbitragem entre os mercados

A arbitragem é a operação de compra ou venda de um mesmo ativo negociado em mercados diferentes que tem como objetivo lucrar com a diferença do preço em cada mercado. Os participantes estão sempre em busca dessa diferença de preços e por isso os preços tendem a se equalizar entre o mercado internacional e local.

Exemplo:

Um investidor possui ações da companhia “123” negociadas no mercado norte-americano, cuja cotação é de US$ 10,00.

Nesta data, a taxa de câmbio é de R$ 5,60. Na B3 estão listados os BDRs lastreados nas ações desta companhia, cotados a R$ 57,00.

Este cenário permite ao investidor comprar ações no Exterior, solicitar a emissão do BDR no Brasil e, em seguida, vender os mesmos BDRs no mercado secundário da B3. Desconsiderando os emolumentos e as taxas cobradas na operação, o ganho obtido com a operação será de R$ 1,00 por BDR.

Custo das ações no Exterior = US$10,00 x R$5,60 = R$56,00 Valor de venda do BDR Patrocinado na B3 = R$57,00
Ganho na operação = R$57,00 – R$56,00 = R$1,00.
● Já a oportunidade com a variação cambial, consiste em obter ganho de capital com a valorização ou desvalorização da moeda local, ou do mercado de origem.

Exemplo:

Suponha que, nesta data,o preço de uma ação no mercado internacional é de US$ 10,00, o câmbio é de R$ 5,60/dólar e, na B3, os BDRs lastreados nestas ações estão sendo negociados no mercado secundário a R$ 56,00.

Valor da ação (U$D)Câmbio (R$)Valor do BDR (R$)Ganho devido à variação cambial (R$)
105,656,00-
105,6256,200,20
105,6156,100,10
10,25,6357,431,43

O exemplo numérico acima desconsidera os custos de transação e outros fatores que afetam o preço dos BDRs no mercado secundário.

Nesse exemplo, tanto a desvalorização do câmbio quanto a alta do preço da ação levaram ao aumento do preço do BDR. Caso o investidor decida vender seus BDRs por R$57,43, realizará um ganho de capital.

Fatores que aumentam a segurança e o equilíbrio de preços

Todos esses fatores conjugados possuem um papel crucial na formação do preço dos BDRs de ETFs e trazem tranquilidade para o investidor brasileiro quanto ao equilíbrio entre os preços praticados aqui e lá fora.

O formador de mercado através da atuação na compra e venda dos papéis, injetando liquidez; os mecanismos protegendo o mercado contra grandes distorções de preço; a BSM supervisionando o mercado para que não haja má conduta ou manipulação entre participantes; a arbitragem que facilita a equalização dos preços entre o mercado internacional e local.

Aproveite todas as oportunidades de diversificação oferecidas pelos BDRs de ETFs! E bons investimentos!

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